Candidatura de Ciro parece a de Heloísa Helena, diz Renan Calheiros
O líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), afirmou nesta quinta-feira (4) que a candidatura do deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE) à Presidência da República neste ano parece a da ex-senadora Heloísa Helena (PSOL-AL) em 2006, que ficou em terceiro lugar e fora do segundo turno. As declarações de Calheiros são em resposta a uma entrevista em que o deputado criticou a aliança entre PT e PMDB.
“Hoje eu vi algumas declarações do deputado Ciro Gomes, cada vez mais preocupado com essa candidatura, que é incrível. A candidatura do Ciro Gomes parece demais a candidatura da senadora Heloísa Helena na eleição passada. Durante a campanha tinha 11%, 10%. Depois, acabou com 6% dos votos. Acho que isso tem deixado o Ciro Gomes em um estado de nervosismo permanente. Só vejo isso para explicar todos os dias as suas desencontradas declarações”, disse o líder do PMDB.
Calheiros afirmou ainda que Ciro está sofrendo de tensão pré-eleitoral. “Essa TPE, tensão pré eleitoral, do Deputado Ciro Gomes, é uma coisa compreensível”, ironizou.
Em entrevista nesta quarta, Ciro afirmou que a candidatura da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) significa uma estagnação devido à aliança com o PMDB. O deputado disse ainda que uma aliança com a petista só seria possível no segundo turno porque deseja manter sua candidatura. (Eduardo Bresciani do G1)
O deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE) afirmou hoje que vai buscar o apoio de outros partidos para sua possível candidatura à Presidência da República, mas que só defende uma aliança partidária fechada em torno de um projeto para o país. "Eu me imagino no poder com o PT, mesmo com o PMDB, não vejo problema. Agora a hegemonia moral e intelectual dessa coligação tem que ser o projeto."
"Nós do PSB temos a compreensão da nossa responsabilidade com o momento do país. Não é verdade que para governar o Brasil você precisa se atracar com políticos e partidos que só pensam em cargos e nos seus próprios interesses", disse Ciro Gomes. Para o deputado, se houver um projeto de país que for encantador e comover a população, informar e organizar a população, não há como ir contra ele.
Para Ciro Gomes, essa aliança em torno de um projeto é a missão de um partido de esquerda, moderno, independente, "que considera a política um ato coletivo, um movimento de idéias, que não aceita personalismos de nenhuma natureza, nem mesmo daqueles mais queridos amigos".
Rio Branco será 1ª capital com cobertura integral de internet grátis no país
O governo do Acre lançou na manhã desta quinta-feira, 4, em Rio Branco, o programa Floresta Digital, que possibilitará o acesso da população urbana dos 22 municípios à internet com banda larga até o final do ano. O governo também anunciou que vai começar neste ano a distribuição de 9 mil netbooks aos estudantes do terceiro ano do ensino médio.
Com mais de 150 mil quilômetros quadrados, sendo 98% deles cobertos por mata virgem, o Acre tem 700 mil habitantes. O governo estadual investiu R$ 30 milhões no Floresta Digital, cujo sinal de internet banda larga gratuita alcança inicialmente todo o perímetro urbano da capital. Os demais municípios terão cobertura total a partir de setembro, o que inclui 100 comunidades isoladas da região.
- O máximo que a gente for capaz de imaginar e sonhar será muito pouco diante do que vai acontecer no Acre a partir do Floresta Digital. Nós estamos criando algo confiantes na capacidade da molecada espalhada no Acre inteiro. Estamos consolidando o maior projeto de inclusão digital do país - afirmou o governador Binho Marques (PT).
Para viabilizar o Floresta Digital, o governo estadual estabelceu parceria com a Agência de Comércio e Desenvolvimento dos Estados Unidos (USTDA). O estudo técnico do programa, que custou US$ 573,8 mil, foi financiado integralmente pela agência norte-americana. (Altino Machado no Blog da Amazônia) Leia mais.
Em tempo:Enquanto isso, Macapá, que hoje comemora 252 anos de fundação, continua dispondo apenas da interlerda.
Após vazamento, Petrobras cancela licitação para escolher agências de publicidade
A Petrobras cancelou a licitação para a escolha das agências que farão a publicidade da empresa neste ano com uma verba de R$ 250 milhões. A informação foi dada nesta quinta-feira pela estatal por meio de um comunicado.
Segundo matéria publicada pelo jornal “Folha de S.Paulo”, o problema começou porque houve o vazamento dos nomes das agências mais bem colocadas na etapa decisiva do processo, o que gerou uma forte reação das concorrentes. Isso porque a Petrobras utiliza o sistema de propostas apócrifas, ou seja, fazem a análise sem ter conhecimento do nome da empresa avaliada e, por esta razão, se a Petrobras em tese desconhecia o nome das participantes, não teria como ter ocorrido o vazamento.
Clique aqui para ler a matéria da Folha na íntegra disponível para assinantes do jornal e do UOL
A assessoria de imprensa da estatal diz que não existe motivo para o cancelamento, e afirma que a divulgação antecipada dos resultados das agências mais bem colocadas feitas por um site especializado não comprometeu a análise das propostas técnicas, porque o fato ocorreu três dias após o encerramento da fase.
Ontem, a presidente interina da Petrobras, Graça Foster, disse que a empresa não via a necessidade de cancelar o processo de licitação, e não explicou como ocorreu o vazamento se os envelopes com os nomes ainda estavam lacrados.
Segundo a Petrobras, um novo e "aprimorado" edital de licitação será lançado em breve. (UOL Notícias)
- Não vou responder. O que o Ciro quer é isso. Se eu passar recibo, vai botar lenha na fogueira e não quero isso.
A frase foi dita ontem à noite em Brasília por José Dirceu a um amigo a respeito dos ataques furiosos feitos por Ciro Gomes contra ele.
Apesar de ter sido chamado de antiético e de ter sido acusado de “querer destruir Lula”, Dirceu prefere não brigar e seguir cumprindo missões de Lula.
...e vai para Cuba
Hoje, mesmo ele parte para uma viagem para América Central e Caribe. Uma “missão”. Visitará três países - um deles, Cuba - para mandar recados do governo aos governantes de lá. Beleza.
Mas, afinal, para que servem as embaixadas? Não seria o caso de economizar um pouco e fechá-las logo de uma vez, substituindo-as por Dirceu? (Lauro Jardim na coluna Radar on-line, da Veja.com)
Em tempo: A Renata Lo Prete acertou na mosca com a nota publicada, hoje (4), no Painel da Folha de S.Paulo.
"Segura o homem. A nova direção do PT está de cabelo em pé com as andanças de Dirceu. Não bastasse o incidente diplomático no Ceará, o comando formal do partido avalia que a ida do ex-ministro ao Pará em nada contribuiu para pacificar a governadora Ana Júlia e o deputado Jader Barbalho (PMDB)."
O repórter fotográfico Fábio Motta, da Agência Estado, flagrou um funcionário da Petrobrás abraçado a Lula, ontem (3), durante a inauguração do gasoduto Cabiunas, no Rio de Janeiro, vestido com uma camiseta com os dizeres "Lula e Cabral" por debaixo do jaleco da Petrobrás.
Esse tipo de conduta tem se configurado em campanha eleitoral para muitos procuradores eleitorais.
Vale lembrar, que o senador Tião Viana (PT-AC) está sendo processado por ter seu nome pintado em uma ambulância de uma cidade do interior do Acre.
A foto foi publicada, mas não rendeu nenhum pronunciamento da oposição e, também, nenhuma citação nos jornalões desta quinta-feira (4).
Aleluia: "Não há acordo com governo corrupto"
O vice-líder do Democratas na Câmara, José Carlos Aleluia (BA), disse que o Partido deve obstruir a pauta de votações das propostas que regulamentam o regime de partilha na exploração do pré-sal. Aleluia afirma que não existe possibilidade da oposição concordar com a votação. "Não há acordo com governo corrupto, que usa a máquina pública para fazer campanha antecipada de sua candidata", indignou-se.
O parlamentar afirmou ainda que a oposição não irá colaborar com o governo enquanto os mandos e desmandos continuarem. "Enquanto essa postura autoritária continuar, vamos obstruir", concluiu.
As férias na Europa ao lado de Patrícia Pilar fizeram um bem danado a Ciro Gomes, pré-candidato do PSB a presidência da República.
O cearense voltou revigorado. Restabeleceu seu raciocínio, às vezes cortante, com um discurso político em que demonstra independência em relação ao Planalto.
Em suas conversas com jornalistas no cafezinho da Câmara, Ciro mostra também que não tem rabo preso.
- Sou o candidato do futuro. Não tenho compromisso com as privatizações do governo de Fernando Henrique Cardoso, nem sou obrigado a defender o que está errado no governo Lula.
Com essa frase, Ciro diferencia sua candidatura das demais e,
Indiretamente, carimba Dilma Rousseff (PT) como a candidata do presente e José Serra como o postulante do passado.
Ciro transformou o cafezinho da Câmara em sua trincheira. De lá manda recados para os principais atores da sucessão presidencial.
Ciro reafirma sua lealdade a Lula, mas coloca que sua candidatura não depende dele, mas somente do seu partido.
Aproveita para destilar um pouco de veneno sobre Dilma, ao criticar a aliança dela com José Sarney (PMDB-AP) e Renan Calheiros (PMDB-AL).
Mas, o alvo preferido é José Dirceu, que tem feito um trabalho de retirada de candidaturas petistas para resolver conflitos regionais entre o PT e o PMDB.
- O Dirceu deveria assumir certo recato. Ele não tem coragem de me pedir para retirar a candidatura, até porque eu o mando pastar na mesma hora.
Para Ciro Gomes, a última visita de José Dirceu ao Ceará transbordou o caldo.
É que o antecessor de Dilma disse ao governador Cid Gomes (PSB) que o PT poderá lançar candidato no Estado se o irmão insistir em permanecer na disputa presidencial.
A atitude Dirceu causou tanto mal estar que líderes petistas do Ceará rejeitaram a declaração.
Coerente em suas últimas palavras, Ciro incluiu em suas análises o PSB, que prega a necessidade de Lula liberar um partido aliado para fortalecer a candidatura do parlamentar.
- É um erro achar que o Lula vai nos dar partido.
Ciro coloca o isolamento do PSB como um grande obstáculo, mas não intransponível.
Ele lembra que “Lula chegou aonde chegou sem ajuda de ninguém”.
Sobre a possibilidade de ser candidato ao governo de São Paulo, Ciro é curto e grosso.
- Eu vou resistir firmemente. Eu quero ser presidente. A única circunstância para eu desistir é se o PSB pedir para retirar meu nome, aí eu aceito docilmente. Agora, se o PSB pedir para eu ser candidato a governador de São Paulo, aí eu vou espernear muito e depois resolver, afirmou Ciro.
As últimas declarações de Ciro deixam claro que será muito difícil demovê-lo da candidatura a presidente, pois se o fizer estará encerrando precocemente a sua carreira política.
A ditadura militar (1964-1985) volta hoje aos tribunais. Às 15h, na sala de audiência da 18ª Vara Cível de Porto Alegre, a socióloga uruguaia Lílian Celiberti se encontra com o ex-policial João Augusto da Rosa (codinome Irno), um dos agentes da repressão que há 31 anos a sequestrou no episódio símbolo do Brasil na Operação Condor — a “parceria” das ditaduras sul-americanas, que visava caçar e matar seus inimigos comuns. Será a primeira vez em que ambos se encontram depois do sequestro e, desta vez, em papéis confusamente trocados. Agora, Irno é o acusador. E Lílian, uma testemunha de defesa. No centro do caso, na condição de acusado, está um jornalista e seu livro.
Tudo começou numa sexta-feira chuvosa de novembro de 1978, quando o jovem repórter gaúcho Luiz Cláudio Cunha recebeu um telefonema anônimo com uma dica. Ele deveria bater na porta de um apartamento no Bairro Menino Deus e perguntar por uma certa Lílian. O repórter cumpriu o roteiro sugerido: bateu na porta do apartamento e perguntou por Lílian. Homens nervosos surgiram, um deles, o agente Irno, apontando um revólver para a testa de Cunha. Eram policiais do Departamento de Ordem Política e Social (Dops) do Rio Grande do Sul, que, naquele momento, em parceria com agentes da repressão do Uruguai, sequestravam os então estudantes Lílian Celiberti e Universindo Díaz e os dois filhos do casal, de 3 e 8 anos.
A presença do jornalista não foi suficiente para impedir o sequestro, mas possivelmente evitou que os uruguaios fossem mortos, como era praxe ocorrer nas ações da Operação Condor. Lílian e Universindo foram torturados no Brasil e, depois, enviados clandestinamente ao Uruguai, onde permaneceram presos por cinco anos. As crianças foram entregues aos avós. Graças a Cunha, o caso ganhou luz. O repórter denunciou o sequestro naquele mesmo ano e, nas três décadas seguintes, continuou investigando o caso.
No ano passado, depois de montar todo o quebra-cabeça do sequestro, Cunha lançou o livro Operação Condor: o sequestro dos uruguaios, pela editora L&PM. Era a maneira que o jornalista encontrou de botar um ponto final no episódio.
A história, entretanto, estava longe do fim. Irno não gostou de ver Cunha descrever o que havia presenciado. O ex-policial, então, entrou com uma ação indenizatória. O ex-agente alega que é inocente, quer que Cunha seja condenado por dano moral e que abra a carteira para se redimir. “Não entendo por que só agora, quando sai o livro que reproduz tudo o que a imprensa brasileira e internacional publicou na época, o sequestrador denunciado por mim e reconhecido pelos sequestrados exiba seu inconformismo diante das verdades publicadas”, diz Cunha.
O jornalista, na tentativa de provar sua inocência, arrolou Lílian Celiberti como testemunha de defesa. Lílian contará hoje que foi sequestrada em 1978, coisa que nunca pôde dizer antes num tribunal brasileiro. Irno, Lílian e Cunha estarão frente a frente. E a história do Brasil mais uma vez estará em julgamento. (Lucas Figueiredo no Correio Braziliense)
A despeito da ação de bombeiros, Sérgio Cabral (PMDB) ainda não digeriu o encontro reservado que Dilma Rousseff (PT) teve com Anthony Garotinho (PR) na semana passada no Rio. A ministra, que foi à cidade inaugurar uma creche ao lado do governador, aproveitou para conversar com o outro candidato que lhe oferece palanque no Estado. Acompanhada do ministro Alexandre Padilha (Relações Institucionais) e do ex-prefeito de BH Fernando Pimentel, Dilma não se comprometeu a ajudar Garotinho. Manifestou a intenção de ficar "equidistante". Mas foi o suficiente para enfurecer Cabral, acossado nas pesquisas tanto pelo ex-governador quanto por Fernando Gabeira (PV). (Renata Lo Prete)
Dassault diminui preço, e Lula escolhe caça francês
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro Nelson Jobim (Defesa) bateram o martelo a favor do caça francês Rafale. A decisão foi tomada depois que a fabricante, Dassault, reduziu de US$ 8,2 bilhões (R$ 15,1 bilhões) para US$ 6,2 bilhões (R$ 11,4 bilhões) o preço final do pacote de 36 aviões para a Força Aérea Brasileira. Mesmo com a redução, os caças franceses têm preço muito superior ao dos concorrentes. Conforme a Folha apurou, a proposta do modelo Gripen NG, da sueca Saab, foi de US$ 4,5 bilhões, e a dos F-18 Super Hornet, da norte-americana Boeing, de US$ 5,7 bilhões. Além do custo do pacote, que inclui avião, armas, logística e custo de transferência tecnológica, a Dassault estimou que a manutenção dos aviões por 30 anos custará US$ 4 bilhões. Os valores foram revistos após o presidente Lula anunciar antecipadamente a vitória do Rafale, em setembro. O preço unitário, sempre uma estimativa, era então menor para todos os concorrentes porque o pacote não previa vantagens incluídas na renegociação -como o custo de a Embraer fabricar o caça futuramente. Norte-americanos e suecos dizem que houve também uma mudança de condições na negociação. Na seleção da FAB, cujo relatório foi finalizado em dezembro, os preços eram fechados e inegociáveis. Pelo documento, o Rafale ficou em último (o Gripen liderou a lista). Com a redução apresentada a posteriori pela França, o preço ficaria sujeito a alterações futuras, informação que não é confirmada pelo governo. (Eliane Cantanhêde na Folha de S.Paulo) Assinante do jornal ou do UOL leia mais.
Vitorioso foi o último colocado em avaliação
Além de ter ficado em último lugar na avaliação técnica da Força Aérea Brasileira, que irá operar os novos caças no mínimo pelos próximos 30 anos, o francês Rafale, da Dassault, não foi considerado o melhor em nenhum dos sete critérios finais. O jato francês foi apontado como a pior opção em cinco desses critérios: técnico, logística, compensações tecnológicas/comerciais, geração de emprego e preço. O vencedor, o Gripen NG, foi considerado melhor em quatro quesitos: técnico, transferência de tecnologia, geração de empregos e preço. Seu maior ponto fraco, a ser explorado pelo relatório político elaborado pelo ministro Nelson Jobim, foi o fator "risco", pois se trata de uma evolução do Gripen original, ainda em fase de teste. Na questão de oferta de empregos, a comissão da FAB ouviu as empresas brasileiras de defesa e avaliou que a proposta da Saab pode gerar 22 mil postos; a da Boeing, 5.000, e a da Dassault, 2.500. Responsável por uma das avaliações externas, a pedido da FAB, a Embraer apontou a proposta sueca como mais estimulante à indústria nacional. (Eliane Cantanhêde na Folha de S.Paulo)
Análise: Decisão é vitória pessoal de Jobim
O previsível desfecho da novela dos caças, ainda a ser confirmado com assinaturas e compromissos financeiros, consolidou a parceria estratégica entre Brasil e França e foi uma vitória pessoal de seu maior defensor, Nelson Jobim. Foi ele quem costurou o amplo acordo militar em que o Brasil atrelou sua força de submarinos e helicópteros aos franceses no ano passado, e nunca escondeu que a escolha do vetor de aviação de combate tinha de seguir a mesma lógica. O ponto central: acesso a tecnologias agora e no futuro, além da abertura de canais que ultrapassam a área militar. A- lém disso, ao atropelar a preferência da FAB, Jobim manteve a consolidação do poder do Ministério da Defesa sobre as Forças Armadas -algo que só começou a ocorrer agora, mais de dez anos depois de sua criação. Mas a escolha levanta dúvidas sobre a conveniência de manter tal dependência de um só país num campo tão sensível quanto o militar. Agora, serão mais de R$ 30 bilhões a depositar nos cofres franceses. Historicamente, isso não é favorável. E há a questão básica pela qual a FAB havia preferido o sueco Gripen NG: o Rafale é uma aeronave cara de comprar e, principalmente, de operar. O motivo é justamente o que o governo e a França apontam como vantagem, que é o fato de que o avião não usa tecnologia sensível de nenhum outro país. Como só é usado hoje pelos franceses, o aparelho sofria de encarecimento por falta de escala industrial. Tudo é feito na França a custos altos. O contrato brasileiro, quando assinado, dá sobrevida ao avião como produto comercial e poderá até baixar seus custos futuros. De todo modo, as reduções de preço propaladas ainda têm de ser vistas em contratos e sob lupa. A FAB preferia o Gripen também por ser um projeto em desenvolvimento de um caça já existente, que abria mais possibilidades de interação e transferência de conhecimento. O Rafale é um avião pronto. O F-18 americano é um avião desejado por pilotos e com preço competitivo, mas pesa contra ele o fato de que nunca estaria livre da sombra de embargos eventuais no futuro. Ainda vai demorar para Washington superar essa desconfiança. (Igor Gielow na Folha de São Paulo)
Projeto de ponte entre Salvador e Itaparica gera críticas a J. Wagner
O governador Jaques Wagner (PT) quer entrar para a história como o líder político que materializou a obra de maior impacto na vida dos baianos, a ponte Salvador-Itaparica, colosso com extensão de 14 quilômetros, custo estimado entre R$ 1,5 bilhão a R$ 2 bilhões e vetor de um megaprojeto de infraestrutura de desenvolvimento regional. Mas há uma pedra no meio caminho. E das grandes.
– Se essa ponte sair vai favelizar a ilha. Será a lógica da especulação imobiliária e da roubalheira. Itaparica será uma patética Miami tupiniquim dos pobres – dispara o escritor João Ubaldo Ribeiro, ilustre itaparicano, que passa férias na ilha e não se conteve ao tomar conhecimento do grande empreendimento.
O protesto do escritor que universalizou a ilha em seus livros vem desencadeando uma série de manifestações de artistas e intelectuais, preocupados com o impacto das obras em dois santuários, a Baía de Todos os Santos e as cidades de Itaparica e Vera Cruz. Hoje, Itaparica é uma bucólica e paradisíaca ilha com pouco mais de 20 mil habitantes, distribuídos em 240 quilômetros quadrados. Ubaldo acha que, de um lado, a ponte atrairá mais pobreza, violência e destruição ambiental e, de outro, a especulação imobiliária, com requintados e milionários condomínios fechados. (Vasconcelo Quadros no Jornal do Brasil) Leia mais
Promotoria acusa Pimentel de superfaturar obras em BH
O Ministério Público de Minas Gerais ajuizou ação civil pública por atos de improbidade administrativa, reparação de danos ao erário e anulação de convênio contra o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel (PT). A ação inclui outros nove acusados, entre eles o procurador-geral do município, Marco Antônio de Rezende, e o secretário de Políticas Urbanas, Murilo Campos Valadares.
Durante o primeiro mandato do ex-prefeito - pré-candidato do PT ao governo de Minas e um dos principais coordenadores da campanha presidencial da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff -, o Ministério Público apurou superfaturamento de R$ 9,1 milhões e outras irregularidades no contrato e na execução de obras de construção de habitações populares e reforma de um conjunto de moradias na capital.
Ex-prefeito diz que acusação é 'descabida'
O ex-prefeito Fernando Pimentel classificou como "totalmente descabida" a ação do Ministério Público. "Nós vamos nos defender, obviamente, mas eu acho que incorre em erro o Ministério Público. As casas, de fato, foram construídas, estão lá. Que eu me lembre não tem nenhum ato meu nesse convênio, que é anterior e foi assinado, se não me engano, pelo Célio (de Castro, ex-prefeito) no primeiro mandato." Disse ainda que não foi citado e ressaltou que "não seria leviano a ponto de dizer que o Ministério Público, apesar de estar com esse inquérito há muito tempo, só resolveu ajuizá-lo agora porque é ano eleitoral". (Eduardo Kattah em O Estado de S.Paulo) Leia mais.
Para Dirceu, é "mais provável" que Ciro dispute a presidência
Em artigo publicado, nesta quinta-feira (4) no Jornal do Brasil, sob o título "O que dizem as pesquisas?", o petista José Dirceu, que percorre o país aparando arestas entre petistas e peemedebistas, afirma em um trecho:
"No cenário hoje mais provável, com o deputado Ciro Gomes (PSB) na disputa, o levantamento do Vox Populi revelou que a diferença entre Serra e Dilma já caiu para 7 pontos (34% a 27%). Ciro aparece com 11%, e Marina Silva (PV) com apenas 6%."
O Zé não apontaria como o "cenário hoje mais provável", se não tivesse informações seguras que o PSB irá repetir o mesmo comportamento de 2002, quando disputou a presidência com Anthony Garotinho.
Às vésperas da convenção do PMDB que vai ratificar o deputado Michel Temer no comando, no sábado, o partido ganhou um aliado de peso para aproximá-lo do PT nos estados onde as legendas não conversam. O ex-ministro José Dirceu tem viajado o país e conversado com os pré-candidatos aparando as arestas para a coligação. Esteve em Belém e deixou o deputado Jader Barbalho e a governadora petista Ana Júlia Carepa a uma conversa de um acordo. Jader abriria mão de tentar o governo e pode ir ao Senado. Depois, foi a Fortaleza. Ali, o cenário ficou favorável ao PMDB. O ministro da Previdência, José Pimentel (PT), pode desistir da candidatura ao Senado, abrindo caminho para Eunício de Oliveira (PMDB) se lançar à Casa Alta. (Coluna Informe JB)
Mesmo sem desistir definitivamente de convencer o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) a disputar o governo de São Paulo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já escalou o senador Aloizio Mercadante (PT-SP) como plano B para concorrer ao Palácio dos Bandeirantes em outubro. A conversa aconteceu na quarta-feira da semana passada, mesmo dia em que Lula embarcaria para Recife, onde retomou as negociações com o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, para uma aliança com o PSB.
Entre as gravações de um vídeo em comemoração aos 30 anos do PT e o embarque para a capital pernambucana, Lula aproveitou para debater a sucessão em São Paulo. Ao lado de auxiliares, avisou que ainda gostaria de convencer Ciro a disputar o governo paulista. Ainda assim, deu a Mercadante o recado de que gostaria de vê-lo preparado para assumir a tarefa. Disse que o considera a melhor alternativa para a vaga, caso o candidato seja do PT. "Se ele (Ciro) não quiser, Aloizio, eu acho que você é o melhor nome no PT", disse Lula, segundo petistas que acompanharam a conversa.
Além de Mercadante, estavam reunidos em uma casa em Brasília, onde foi montado um estúdio para as gravações do vídeo petista, a ministra-chefe da Casa Civil e pré-candidata ao Planalto, Dilma Rousseff, os ministros Alexandre Padilha (Relações Institucionais) e Luiz Barretto (Turismo) e o chefe de gabinete de Lula, Gilberto Carvalho, além do líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (SP), e do presidente do PT paulista, Edinho Silva. (Clarissa Oliveira em O Estado de S.Paulo) Leia mais.
Por ordem do Planalto, PT ameniza reação a Ciro de olho em aliança
Por ordem do Palácio do Planalto, a cúpula do PT resolveu "baixar a bola" e não estabelecer com o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) um circuito de debate. Mesmo incomodado com as declarações de Ciro, que disse em entrevista ao Estado que "santo Lula" está errado ao tentar tirá-lo da disputa presidencial e o PMDB é um "roçado de escândalos já semeados", o comando petista preferiu não responder no mesmo tom.
Presidente do PT, o deputado Ricardo Berzoini (SP), um dos poucos escalados para rebater as declarações do ex-ministro de Lula, disse que Ciro "está sendo injusto" ao criticar a aliança selada entre PT e PMDB para as eleições presidenciais deste ano. "O governo sempre respeitou o desejo de Ciro de se candidatar à sucessão do presidente Lula", disse. O petista lamentou que o deputado, para expor suas opiniões, tenha atacado aliados. "Achamos que unidos temos mais condições de lutar politicamente."
Também integrante da cúpula do PT, o deputado José Eduardo Martins Cardozo (SP) considerou legítima a posição de Ciro. "É legítimo o direito de Ciro ser candidato, embora eu ache que avaliação do Lula é correta: quem defende a continuidade do governo deveria estar junto em torno de uma única candidatura, que é a da ministra Dilma Rousseff", afirmou.
Em dezembro passado, em café da manhã com jornalistas, Lula foi questionado sobre a aliança com o PMDB. "Esses são os partidos que existem, não podemos fazer alianças com partidos extraterrestres", disse o presidente. (Vera Rosa e Clarissa Oliveira em O Estado de S.Paulo) Leia mais.
Para liberar a pauta da Câmara e evitar obstrução da oposição na votação dos projetos que tratam do pré-sal, o governo concordou em votar na terça-feira, em sessão do Congresso, o veto do presidente Lula que retirou da lista de obras com irregularidades graves, no Orçamento da União, contratos de quatro grandes empreendimentos da Petrobras. O governo acredita que terá maioria para manter o veto. A oposição reforçará o discurso de que o governo atropela o Congresso e o Tribunal de Contas da União (TCU) ao vetar o anexo VI do Orçamento da União, liberando recursos para as obras da Petrobras.
A lista das obras é feita com base em pareceres técnicos do TCU. Foram retiradas dela contratos referentes a obras em Pernambuco, Espírito Santo, Paraná e Rio de Janeiro. (O Globo)
Cientes das dificuldades de aprovação do veto à candidatura de políticos com condenação em primeira instância na Justiça, os líderes partidários da Câmara decidiram criar ontem uma comissão para modificar o texto do projeto de iniciativa popular, conhecido como Ficha Limpa.
A proposta foi feita pelo presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), que enfatizou a necessidade de dar uma resposta à sociedade ao projeto de lei entregue em setembro com mais de 1,3 milhão de assinaturas. A votação do projeto foi adiada para março, mas há quem defenda que é preciso mais tempo para o debate.
Líderes partidários consideram que o mais adequado é impedir a candidatura dos que já foram condenados em segunda instância, ou seja por um colegiado de juízes e não apenas por decisão de um juiz.
Se o projeto for aprovado até junho na Câmara e no Senado, valerá como regra para as eleições deste ano. Para os integrantes do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), a decisão de adiar novamente a votação é frustrante.
— Acreditamos que os parlamentares encontrarão um texto que garanta a vontade da sociedade e não algo que seja apenas para dar uma satisfação. (Isabel Braga) Leia mais em O Globo.
Ciro insiste na candidatura, critica Lula e petistas
O deputado e ex-ministro Ciro Gomes (PSB-CE) reforçou ontem sua estratégia de enfrentar o governo, o PT e o até o presidente Lula. Ciro deixou claro que a única forma de seu nome sair da disputa presidencial será por decisão do PSB. Em entrevista, no cafezinho do plenário da Câmara, o deputado enfatizou, várias vezes, sua divergência com a estratégia de Lula de ter uma única candidatura da base governista. Enquanto falava com os jornalistas foi abordado pelo deputado Luiz Sérgio (PT-RJ), que pediu para ele não brigar com Lula. O cearense foi direto com o colega: — Ele (Luiz Sergio) acha que discordar do Lula é brigar. Concordar com tudo não é ser amigo. O Lula está errado.
Ao afirmar que o presidente erra nessa estratégia de polarização, Ciro argumenta que na política, se não houver diferença, se estabelece o conservadorismo. Também considerou erros a saída do governador Aécio Neves (PSDB-MG) da disputa presidencial e a tentativa de isolamento da candidatura da senadora Marina Silva (PV-AC).
— Não precisa ser uma diferença inamistosa, grosseira. Mas se você não estabelece a diferença, de que vai viver o nosso povo? Nesse caso, vamos refundar no Brasil a cultura do chavismo, do peronismo. O (ex-presidente) Fernando Henrique Cardoso quis isso. O Lula, não. Tanto que recusou o terceiro mandato. Será que o confronto pragmático entre Dilma e Serra, entre o PT e PSDB faz bem ao país? Sobre a declaração da ministra Dilma de dividir palanque com ele, dada ontem no Rio, Ciro disse que ela foi “extremamente lisonjeira” e que fez uma “gentileza”. Mas deixou claro que estarão em palanques diferentes.
Perguntado sobre a possibilidade de ser vice na chapa da petista, foi categórico: — Não insultaria Dilma chamando para ser candidata a vice. Eu quero ser candidato. Se ela quer também, estaremos do mesmo lado político, mas não eleitoral. No segundo turno é uma possibilidade mais do que real, é certa, se depender da minha vontade. Eu preciso, na defesa do interesse do povo, apresentar minha candidatura.
Ciro disse que atenderá a decisão do PSB, mas demonstrou resistência em ser candidato ao governo de São Paulo: — A única circunstância para eu desistir é se o PSB pedir para retirar meu nome, aí eu aceito docilmente. Agora, se o PSB pedir para ser candidato a governador de São Paulo, aí eu vou espernear e depois resolver.
Ciro alfinetou as candidaturas de Dilma e de José Serra, e disse que a retirada de sua candidatura é a “única unanimidade da agenda de mesquinharia do PT e PSDB”.
— Eu posso falar coisas que o PT não pode. Até porque as bases da aliança PT-PMDB não permitem. Não aguenta falar porque a moral dessa aliança é um roçado de escândalo. Não tenho que fazer homenagem ao (ex-governador Orestes) Quércia (PMDB-SP), como o Serra, e não tenho que fazer homenagem ao (senador) Renan Calheiros (PMDB-AL), como a Dilma.
Ele afirmou que a candidatura Serra representa o passado, que Dilma teria dificuldade de falar das lacunas do atual governo e que a sua candidatura sinaliza para o futuro. Ainda avalia que Serra não será candidato.
— Minha opinião é que o Serra não será candidato. O tempo está passando e os fatos se consolidando.
Ciro também foi para o confronto direto com o ex-ministro José Dirceu, que tem defendido a retirada de sua candidatura: — Ele não me pediu para retirar minha candidatura. Se pedir, mando pastar. Ele deveria assumir um certo recato. A conduta atual dele é golpista.
Para Ciro, Dirceu agiu como golpista quando era presidente do PT e abriu na comissão de ética um processo contra Lula para apurar as relações dele (Lula) com o compadre Roberto Teixeira — Lula havia sido acusado de tráfico de influência.
— Ele quis acabar com o Lula. O Zé Dirceu estava decidido a destruir Lula — explicou Ciro, em entrevista para o jornal “O Estado de S. Paulo. (Gerson Camarotti em O Globo)
Construção de hidrelétrica abre guerra entre AGU e procuradores
A construção da hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, abriu uma guerra entre a Advocacia Geral da União (AGU) e o Ministério Público Federal (MPF). Numa reação sem precedentes na história da instituição, a AGU anunciou ontem que vai processar procuradores da República acusados de tentar inviabilizar a construção da usina, mesmo sem conhecimento prévio do conteúdo da licença concedida pelo Ibama para a execução das obras. “Nos casos mais graves, a AGU não relutará em ajuizar ações de improbidade administrativa, em nome da União, contra os membros do MPF”, disse o órgão em nota divulgada ontem.
O Ministério Público Federal do Pará reagiu, sugerindo que a instituição encarregada da defesa do governo estava apelando à coerção. No fim do dia, a briga esquentou com a divulgação de de nota pela Procuradoria Geral da República, na qual defende a “missão constitucional” do ministério de “impugnar atos do poder público que afrontem suas próprias disposições”.
A licença prévia de Belo Monte, contra a qual oito ações já foram ajuizadas, foi anunciada na segunda-feira. Horas depois, o procurador Daniel Avelino, de Belém, afirmou que trabalharia para suspendê-la e ameaçou punir servidores do Ibama responsáveis pela liberação da usina.
Procuradoria: ‘embaraços’ com governo são inevitáveis
Para a AGU, representantes do Ministério Público estão cometendo abuso de autoridade, por não fazerem uma análise “desapaixonada” e “em questão de horas”. “Um agente do Estado investido de uma competência legal fundamental, como é o caso dos promotores de Justiça e dos procuradores da República, não pode ter uma postura preconceituosa, precipitada e desprovida de análise técnica e jurídica consistente”, diz nota.
A AGU ameaça ainda denunciar os procuradores ao Conselho Superior do Ministério Público: “Não é dado a membros do Ministério Público impor seu entendimento pessoal aos demais agentes do Estado, mas apenas a vontade da lei”. Para a AGU, ações de improbidade administrativa poderão ser ajuizadas contra procuradores que, “eventualmente abusarem de suas prerrogativas por meio de ações sem fundamento, destinadas exclusivamente a tumultuar consecução de políticas públicas relevantes para o país”.
No fim da tarde, o MPF do Pará também divulgou nota rebatendo críticas da AGU. Segundo o texto, os procuradores vêm analisando o caso há 13 anos. “Tais críticas, em tom ácido, parecem desprezar que um Estado democrático não se constrói com base na coerção, direta ou velada”, disse o MPF. Os procuradores afirmaram ainda que, se necessário, vão ajuizar ações contra a construção da usina e que, ao longo do processo, “deixaram claro que vários vícios procedimentais (...) “implicariam na nulidade da licença”.
A Procuradoria Geral da República, por sua vez, elevou o tom e afirmou em nota ser “inevitável que, com frequência, os seus desempenhos (do MPF) institucionais criem embaraços a empreendimentos governamentais que, de alguma forma, estejam em desacordo com a lei”.
Cimi articula ação contra construção
Aliado do MPF do Pará, o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) já articula a ação contra Belo Monte, para no máximo dez dias. Após se encontrar com o presidente do Ibama, Roberto Messias, a pedido do próprio órgão, o presidente do Conselho, bispo Erwim Krautler, se reuniu com a subprocuradora-geral da República (PGR), Débora Duprat, para tomar providências.
— O presidente Luiz Inácio Lula da Silva nos prometeu, insistentemente, no dia 22 de julho que seria mantido o diálogo com a população afetada. Mas isso não ocorreu. Ficamos surpresos com a rapidez da publicação do licenciamento ambiental.
O Ibama informou que não foi possível ouvir Krautler antes do licenciamento por questão de agenda. O bispo contesta. (Jailton de Carvalho e Geralda Doca em O Globo)
Governo vai gastar R$ 1 bi para fazer novas cédulas
Novas cédulas do real começarão a circular a partir de maio, na primeira mudança desde a sua criação, em 1994. A troca será escalonada, sendo estendida até 2012, e começará este ano com as notas de maior valor: R$ 100 e R$ 50. Conforme antecipou o GLOBO no último dia 24, as novas cédulas terão tamanhos diferenciados e trarão elementos de segurança com tecnologias mais avançadas e faixas holográficas. Atualmente, a produção de cédulas para reposição custa R$ 300 milhões por ano. Segundo o chefe do departamento do Meio Circulante do BC, João Sidney de Figueiredo Filho, as novas notas elevarão este custo a cerca de R$ 380 milhões, entre 25% e 28% mais, o que, nos três anos em que a troca será feita somará cerca de R$ 1,1 bilhão.
O milheiro custará R$ 200, ou R$ 0,20 por nota. O objetivo do governo é dificultar a ação de falsificadores e ajudar a população a identificar melhor as cédulas.
— Esse investimento a mais pode ser compensado ao longo do tempo, porque as notas novas vão durar cerca de 30% mais do que as atuais — argumentou ele.
A vida útil das notas de R$ 20, R$ 50 e R$ 100 é hoje de cerca de três anos e a das demais, de um ano. As novas cédulas vão durar mais porque serão envernizadas com um produto transparente que as tornarão mais resistentes, que reduzirá também a absorção de sujeiras.
— Desta vez, no Brasil, uma mudança na família de moedas vem dentro de um processo de continuidade da estabilidade econômica — afirmou o presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles.
A fabricação das cédulas será feita na Casa da Moeda, que modernizou seu parque industrial ao longo de 2009 e poderá, inclusive, prestar serviços no exterior: — A atividade econômica está em expansão e necessitamos de mais meio circulante. O real é uma moeda forte e reflete a solidez da economia.Temos de nos preparar para colocar o real num curso internacional — afirmou o ministro da Fazenda, Guido Mantega. (Patrícia Duarte) Leia mais em O Globo.
Jobim quer apresentar modelo de concessão de aeroportos em abril
As regras para a concessão dos aeroportos estarão prontas em abril, segundo anunciou ontem o ministro da Defesa, Nelson Jobim, em entrevista ao Valor. Esse novo marco regulatório permitirá que empresas privadas administrem alguns aeroportos do país e a Infraero, ao se tornar também uma concessionária, disponha de ativos que são pré-condição para a abertura do seu capital. Com isso, a empresa poderá captar recursos no mercado para investir.
Atualmente, a Infraero administra 67 aeroportos federais, 80 unidades de apoio à navegação aérea e 32 terminais de logística de carga. Toda essa infraestrutura pertence à União - com exceção de alguns casos, como o do aeroporto de Congonhas, o segundo mais movimentado do país, de propriedade do Estado de São Paulo. Como não possui ativos, a estatal não consegue tomar empréstimos para bancar os investimentos necessários à modernização dos aeroportos, que se tornou ainda mais urgente com as definições do Brasil como sede da Copa do Mundo de futebol de 2014 e da Olimpíada de 2016 no Rio de Janeiro. (Cristiano Romero e Raymundo Costa no Valor) Leia mais.
A Telebrás poderá cobrar entre R$ 15 e R$ 35 por mês pelo acesso de internet rápida a todos os brasileiros, segundo o projeto de restauração da empresa a ser apresentado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva no dia 10, como parte do Plano Nacional de Banda Larga. O valor dependerá da região e da velocidade contratada, que deverá ser, no mínimo, de 1 megabit por segundo. O plano ainda será discutido em uma reunião interministerial hoje à tarde, antes de ser levado a Lula.
Pelo projeto, a Telebrás proveria o serviço de infraestrutura e também ofereceria o acesso para instituições públicas (hospitais, delegacias e escolas, por exemplo) e localidades com baixa atratividade econômica para as companhias telefônicas. O governo ainda decide, porém, se a Telebrás oferecerá 100% do serviço de banda larga com estrutura própria ou se será operadora apenas da infraestrutura de cabos de que o governo dispõe.
No estudo técnico de preços, a Telebrás poderá operar pelos próprios meios ou transferir aos milhares de provedores privados o papel de oferecer o acesso. Em qualquer hipótese, a Telebrás será a administradora dessa rede de banda larga e de sua oferta. "A Telebrás é necessária à instituição do Estado como indutor da banda larga no país", diz André Barbosa Filho, assessor especial da Casa Civil. (Danilo Fariello) Leia mais no Valor.
Consolidação das Leis Sociais chegará ao Congresso em duas etapas
A Consolidação das Leis Sociais, uma das principais bandeiras do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para garantir a manutenção de seus programas sociais no futuro e alavancar a candidatura presidencial da chefe da Casa Civil, ministra Dilma Rousseff, será feita em dois momentos para incorporar programas governamentais que não têm, ainda, status de lei, segundo apurou o Valor.
Na primeira etapa, no início de março, será encaminhado ao Congresso Nacional um anteprojeto com os programas sociais criados por meio de portarias ou decretos, como Territórios da Cidadania, Programa de Aquisição de Alimentos ou Farmácia Popular, para que eles se tornem lei federal. Assim que esses programas forem transformados em lei pelo Congresso, virá a segunda etapa: o governo reunirá, em uma única Lei, nos moldes da Consolidação das Leis Trabalhistas de Getúlio Vargas, toda a legislação social e os programas do Executivo criados a partir de 2003, inclusive o principal deles, o Bolsa Família.
"Queremos consolidar os programas sociais de reconhecido êxito, que já são patrimônio da sociedade", disse o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Luiz Dulci, escolhido para coordenar a tarefa ."É fundamental que se transformem em lei tornando-se política de Estado, ganhando com isso maior estabilidade". (Paulo de Tarso Lyra no Valor) Leia mais.
O governo já antevê a possibilidade de a votação dos projetos do marco regulatório da exploração do petróleo na área do pré-sal não ser concluída antes das eleições. O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), acredita que as propostas aprovadas pela Câmara dos Deputados sejam modificadas pelos senadores e que pode não dar tempo de votar tudo antes de outubro.
"A discussão será feita aqui de novo, com mais equilíbrio, já que todos os Estados têm o mesmo número de senadores. Os projetos provavelmente serão modificados", disse, prevendo tramitação no Senado até junho, ficando "algum rescaldo" para depois das eleições. "O que queremos é acabar este ano. Não dá para entrar 2011, com novo presidente da República, sem marco regulatório definido", concluiu Jucá.
A provável alteração das propostas no Senado obrigará retorno à Câmara para nova análise. Como é ano eleitoral, as votações devem ser suspensas de junho (mês das convenções) até o final do processo eleitoral. (Raquel Ulhôa e Caio Junqueira no Valor) Leia mais.
Como membro do grupo histórico do PMDB e eterno opositor da ala governista do partido que quer reeleger o presidente nacional, o deputado federal Michel Temer (SP), para se manter na base de sustentação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o senador Jarbas Vasconcelos anunciou ontem que não vai comparecer à convenção nacional da agremiação, marcada para sábado (06), em Brasília. O ex-governador de Pernambuco discorda do alinhamento da sigla com o Palácio do Planalto e rechaça a possibilidade de Temer ou de outro peemedebista ocupar a vaga de vice-presidente na provável chapa encabeçada pela ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT). Jarbas prefere apoiar a pré-candidatura do PSDB, projeto que está sendo reservado ao governador de São Paulo, José Serra.
“É um açodamento da cúpula do partido que quer ficar bem com o Palácio do Planalto. Poderíamos fazer (a convenção), mas com cautela”, opinou o ex-governador, à Agência O Globo, referindo-se à antecipação da reunião de março para o próximo sábado. Jarbas foi mais além e afirmou que a posição do PMDB governista é equivocada. “Uma coisa é fazer aliança com o presidente Lula, outra é fazer com a candidata Dilma Rousseff. Não sei até que ponto essa aliança vai caminhar bem”, frisou. O senador conversou com a imprensa, na manhã de ontem, após participar de uma reunião da Comissão de Justiça, em Brasília. Depois, preferiu silenciar para não provocar mais polêmicas. (Jornal do Commercio) Assinante do jornal ou do UOL leia mais.
A superação de uma brasileira comum através da educação. O PV usará esse mote no seu programa eleitoral no rádio e na TV a ser exibido hoje. E a personagem central é a presidenciável do partido, senadora Marina Silva (AC). A história pessoal de Marina será apresentada com a tentativa de relacioná-la com a de muitos brasileiros, que construíram suas trajetórias tendo a educação como trampolim. O programa, de 10 minutos, terá dois objetivos centrais: incorporar a educação como bandeira do PV, afastando assim a pecha de sigla de um discurso só, o de defesa do ambiente, e tornar a senadora mais conhecida, já que, segundo o presidente estadual do PV, Sérgio Xavier, pesquisas internas mostram que Marina ainda é desconhecida por 50% do eleitorado.
Acreana, contaminada por mercúrio do garimpo na infância, empregada doméstica, e que, mesmo alfabetizada aos 16 anos, se formou em História, concluiu pós-graduação e se elegeu vereadora, deputada estadual e duas vezes senadora. O programa do PV buscará enfatizar uma identificação de Marina com a grande maioria da população, que tem dificuldade em acessar a educação, mas que vence pela perseverança. “Enquanto outros se esforçam para mostrar o que não são, o programa apresentará Marina como ela é, sem plásticas nem retoques”, afirmou Xavier, numa crítica velada à presidenciável do PT, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), que passou por uma cirurgia plástica no ano passado.
O PV também apresentará na sua propaganda o que Xavier chamou de “Plano de Aceleração da Educação”. Seria o compromisso do PV em priorizar educação como política partidária, dando destaque aos cursos profissionalizantes. O programa também colocará Marina como uma política de inserção em todas as classes. “Por sua própria origem, ela sabe das dificuldades da maioria da população, mas também, por sua atuação como senadora, ela conhece o Brasil moderno, o setor produtivo”, explicou Xavier. (Gilvan Oliveira no Jornal do Commercio)
Causou revolta no PSDB a edição de um documento, por parte do governo federal, que sugere que o prosseguimento do Bolsa-Família não está garantido após o final do mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Reportagem do jornal O Globo publicada ontem refere que um documento publicado pelo Ministério do Desenvolvimento Social dia 23 de dezembro avisa os prefeitos, responsáveis pela gestão do programa, que as principais diretrizes do programa podem ser alteradas a partir de 2011.
Para a senadora Marisa Serrano (PSDB-MS), a determinação do governo federal semeou “terror” entre os usuários do programa com o objetivo de obter vantagens eleitorais na escolha do sucessor de Lula.
– Quando o governo usa de seu poder para passar uma mensagem distorcida e mentirosa, como é o caso da advertência sobre a validade do benefício do Bolsa-Família, está colocando o jogo eleitoral acima dos interesses da população – disse.
O presidente do partido, senador Sérgio Guerra (PSDB-PE), diz que seu partido criou o programa.
– Fomos nós que inventamos o Bolsa-Família. Nós achamos que o presidente Lula foi até muito bem nesse assunto. Nós sempre dissemos isso. Mas o que eles falam é mentira, é terrorismo e é seguramente o tipo de ação a que essa gente se acostumou – afirmou.
O documento do Planalto explica que a validade do benefício está garantida por três anos para quem já atualizou seus dados em 2008 e 2009. Embora não esteja expresso, o texto dá a entender que o mesmo deve valer para quem se recadastrar em 2010. Mas, segundo a advertência do ministério, a partir de 2011, o prazo de validade não está garantido.
Ao jornal O Globo, a secretária nacional de Renda de Cidadania do Ministério do Desenvolvimento Social, Lúcia Modesto, disse que a intenção da regra não é espalhar terror entre os beneficiários. (Zero Hora)
O real de Lula: Governo vai gastar R$ 1 bi para fazer novas cédulas
Quinze anos após a criação do real, a moeda do país vai ganhar cara nova. Cédulas de R$ 50 e R$ 100 com tons de cor diferentes dos atuais e tamanhos maiores começarão a circular em maio deste ano. Em 2011, será a vez das notas de R$ 20 e R$ 10. Por fim, em 2012, entrarão em circulação as novas notas de R$ 2 e R$ 5. Ao todo, a mudança custará cerca de R$ 380 milhões por ano aos cofres públicos. Esse valor é de 25% a 28% maior do que já é gasto hoje só com a reposição de cédulas. Segundo o governo, essa despesa adicional se deve ao uso de técnicas mais avançadas contra falsificação. O custo total da nova família de cédulas será de R$ 1,1 bilhão. O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, lembrou que as notas atuais continuam valendo e não é preciso trocar em banco.
França baixa preço e Brasil compra caça
O presidente Lula e o ministro Nelson Jobim (Defesa) bateram o martelo a favor do caça Rafale após a francesa Dassault reduzir de US$ 8,2 bilhões (R$ 15,1 bilhões) para US$ 6,2 bilhões (R$ 11,4 bilhões) o preço do pacote de 36 aviões para a Força Aérea Brasileira. O Rafale ficou em último no relatório técnico da FAB, que trouxe em primeiro o caça sueco Gripen e em segundo o americano F-18.
AGU ameaça procurador que contestar hidrelétrica
Com o aval do presidente Lula, a Advocacia-Geral da União ameaçou ontem processar membros do Ministério Público que tentarem impedir a construção da hidrelétrica de Belo Monte. Depois que a licença ambiental foi concedida pelo Ibama, procuradores federais disseram que poderiam processar os técnicos que a assinaram. A AGU advertiu que acusará os integrantes do MP de improbidade administrativa se eles "abusarem das prerrogativas por meio de ações sem fundamento, destinadas exclusivamente a tumultuar a consecução de políticas públicas relevantes para o País". Segundo a nota, os procuradores não podem "impor seu entendimento pessoal aos demais agentes do Estado". O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, rebateu: "O Ministério Público tem atuado cumprindo não a vontade pessoal do procurador-geral ou de um promotor, mas a vontade das leis".
Uerj pode abrir mão do próprio hospital
A reunião do Conselho Universitário da Uerj, amanhã, pode encerrar o casamento de 48 anos entre a universidade e o Hospital Pedro Ernesto, em Vila Isabel. O reitor, Ricardo Vieralves, propõe autonomia plena para o hospital, o que abriria brechas para a instalação de fundações estatais de direito privado, com possibilidade de que procedimentos gratuitos passem a ser cobrados. Já o diretor do Hupe, Rodolfo Acatauassú, teme as consequências da medida. O orçamento anual da unidade, elogiado pelos pacientes mesmo sem emergência, é de R$ 175 milhões.
Marcha por desaparecidos
Mães de Luziânia fazem manifestação hoje em Brasília pedindo a ajuda do governo federal na busca pelos filhos. Polícia revela à CPI da Pedofilia que alguns casos dos jovens que sumiram estão relacionados e há indícios de que os meninos estão vivos. Mãe revelou que vive o mesmo drama desde 2008. O mistério do Parque Estrela Dalva levou medo também ao Jardim Ingá. Muitas crianças deixaram de ir à escola. Uma família procura a filha de 25 anos que desapareceu segunda-feira. Em 2009, o DF liderou o ranking nacional de desaparecidos. O recente episódio do Entorno mostrou a necessidade da ação conjunta das autoridades federais e estaduais.
Governo adota modelo de concessão para aeroportos
O governo finaliza o novo marco regulatório dos aeroportos. Hoje administrados pela Infraero, eles passarão a ser explorados por meio de concessões, informou ao Valor o ministro da Defesa, Nelson Jobim. As novas regras ficarão prontas em abril e terão duas consequências: as empresas privadas poderão administrar alguns aeroportos e a Infraero terá condições de abrir seu capital, obtendo recursos no mercado para investir. Hoje a estatal administra 67 aeroportos federais, 80 unidades de apoio à navegação aérea e 32 terminais de logística de carga. Com algumas exceções, toda essa infraestrutura pertence à União e não à Infraero - que, sem ativos, não consegue obter crédito para bancar investimentos. Com a adoção do novo modelo, a estatal receberá concessões de aeroportos e, assim, passará a ter um patrimônio. "O aeroporto não precisa ser propriedade da Infraero, mas ela precisa ter uma concessão. Hoje, ela não tem nada. A concessão é um patrimônio", disse Jobim.